O TikTok chegou a um acordo extrajudicial nos Estados Unidos antes de um julgamento que poderia marcar um precedente sobre a dependência das redes sociais. O caso envolve uma jovem de 19 anos, identificada pelas iniciais K.G.M., que afirma ter desenvolvido problemas de saúde mental devido ao uso contínuo de várias plataformas digitais.
A queixosa começou a usar o YouTube aos seis anos, o Instagram aos 11, o Snapchat aos 13 e o TikTok aos 14. Segundo o processo, as aplicações, através dos seus algoritmos, promovem um uso prolongado e repetitivo, contribuindo para ansiedade, depressão e problemas de autoimagem.
Com o acordo, que será aplicado como modelo para outros casos semelhantes, apenas Meta (Facebook e Instagram) e YouTube permanecem como réus neste processo. Os valores do acordo não foram revelados. O julgamento, que se realiza em Los Angeles, começou com a seleção do júri e deverá durar várias semanas, incluindo a audição de altos dirigentes das empresas, como Mark Zuckerberg.
Este caso reflete uma mudança na forma como os tribunais abordam a responsabilidade das redes sociais. Em vez de atacar conteúdos publicados pelos utilizadores, os advogados focam-se no design das plataformas e nos mecanismos que incentivam o uso excessivo, seguindo uma estratégia semelhante à utilizada contra a indústria do tabaco nas décadas passadas.
Nos últimos anos, várias plataformas têm implementado medidas para proteger os utilizadores mais jovens. O Instagram lançou contas especiais para adolescentes, enquanto o Snapchat, YouTube e TikTok reforçaram limites e proteções. Estas mudanças surgem no contexto de um maior escrutínio internacional sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental dos jovens.
O desfecho deste processo poderá servir de precedente para outros casos nos Estados Unidos e refletir-se em futuras regulamentações, mostrando que a responsabilidade das empresas de tecnologia sobre os seus produtos digitais é cada vez mais questionada.



